Ex-prefeitos do Maranhão terão que devolver quase R$ 900 mil aos cofres públicos

fev 9, 2026 | Blog | 0 Comentários

Dois ex-prefeitos do Maranhão foram condenados pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MA) a devolver recursos públicos aos cofres de seus respectivos municípios, após julgamentos de Tomadas de Contas Especiais realizados na sexta-feira (6).

As decisões foram tomadas de forma unânime pelos conselheiros da Corte, com base em relatórios apresentados pelo conselheiro Marcelo Tavares Silva, e apontam falhas graves na gestão de recursos estaduais, sobretudo pela ausência de comprovação da correta aplicação das verbas e pela omissão no dever de prestar contas.

No caso envolvendo o ex-prefeito de São Vicente de Ferrer, Adriano Machado de Freitas, o TCE determinou a devolução de R$ 399.699,00, além da aplicação de multa de R$ 39.969,90. A condenação está relacionada à não comprovação da aplicação regular dos recursos provenientes do Convênio nº 13/2013-SEDUC, firmado para financiar obras em unidades escolares dos povoados Água Limpa e Rita de Cássia.

O valor de R$ 399.669,00 havia sido repassado para a construção de muro, fachada padrão e passarela coberta nas escolas dessas comunidades, intervenções que deveriam contribuir para a melhoria da infraestrutura educacional local.

Durante a instrução processual, a equipe técnica do TCE confirmou o repasse dos recursos ao município, mas constatou a ausência de documentação comprobatória que demonstrasse a execução das obras conforme previsto. Também foi identificada a omissão do então gestor em apresentar a prestação de contas exigida no convênio firmado com a Secretaria de Estado da Educação (Seduc), fator determinante para a responsabilização do ex-prefeito.

Com a publicação do acórdão, Adriano Machado de Freitas terá prazo de quinze dias para quitar o débito e a multa, sob pena de acréscimos legais em caso de inadimplência, conforme estabelece a Lei Estadual nº 8.258/2005. O TCE informou ainda que a decisão será encaminhada à Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e à Procuradoria-Geral de Justiça (PGJ), que poderão adotar medidas judiciais adicionais.

Em outro julgamento, o ex-prefeito de Matinha, Marcos Robert Silva Costa, também foi responsabilizado pela Corte de Contas e deverá devolver R$ 500 mil aos cofres públicos, além do pagamento de multa de R$ 50 mil. A condenação está vinculada à não comprovação da aplicação adequada de recursos oriundos do Termo de Adesão nº 03/2013 (Portaria Fundo a Fundo nº 288/2015), firmado entre a Secretaria de Estado da Saúde e a Prefeitura de Matinha. O valor foi destinado à ampliação dos serviços ambulatoriais e hospitalares do Hospital Municipal Dr. Afonso Matos, com o objetivo de fortalecer a rede de saúde local e ampliar a capacidade de atendimento da unidade.

Durante a tramitação da Tomada de Contas Especial, o TCE comprovou que os recursos foram efetivamente transferidos ao município, mas não houve prestação de contas por parte do ex-gestor, impossibilitando a verificação da correta aplicação dos valores. Diante das irregularidades, os conselheiros decidiram pela responsabilização e fixaram o mesmo prazo de quinze dias para o pagamento do débito e da multa, contados a partir da publicação do acórdão.

Caso não haja quitação no período determinado, serão aplicados encargos legais referentes à mora dos créditos tributários municipais, conforme previsto na legislação estadual. Assim como no caso de São Vicente de Ferrer, a decisão também será encaminhada à PGE e à PGJ para avaliação de eventuais providências judiciais.

As decisões reforçam o papel do Tribunal de Contas no controle externo da administração pública e evidenciam a atuação da Corte na fiscalização de convênios e repasses financeiros oriundos do Estado. Além de determinar a restituição dos valores, o TCE busca assegurar a responsabilização de gestores que descumprem obrigações legais, especialmente no que diz respeito à transparência e à prestação de contas.

Os julgamentos também destacam a importância de mecanismos de controle para garantir que recursos destinados a áreas essenciais, como educação e saúde, cumpram efetivamente sua finalidade e resultem em benefícios concretos para a população.

*O Impacial 

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Saiba mais

Curso de Medicina no Maranhão sofre punições do MEC após nota ruim
Curso de Medicina no Maranhão sofre punições do MEC após nota ruim

O Ministério da Educação (MEC) aplicou sanções ao curso de Medicina da Afya Faculdade de Ciências Médicas de Santa Inês, localizada no município de Santa Inês, após resultado considerado insatisfatório no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica de 2025. De...

Nina Rodrigues ganha novo certificado no Mapa do Turismo Brasileiro
Nina Rodrigues ganha novo certificado no Mapa do Turismo Brasileiro

O Ministério do Turismo concedeu a renovação da certificação de Nina Rodrigues no Mapa do Turismo Nacional, um importante reconhecimento da capacidade da cidade em promover e gerenciar o turismo de forma sustentável e responsável. A certificação garante uma série de...