Empresário é condenado a 9 anos de prisão por tentar matar jovem negro após confundi-lo com ladrão, em Açailândia

mar 17, 2026 | Blog | 0 Comentários

O empresário Jhonnatan Silva Barbosa foi condenado a 9 anos de prisão em regime inicialmente fechado por tentar matar Gabriel Silva Nascimento, em Açailândia, no sul do Maranhão. A decisão foi tomada pelo Tribunal do Júri nesta segunda-feira (16). Os jurados desconsideraram o racismo como motivação do crime.

Durante o julgamento, Gabriel Silva Nascimento foi o primeiro a depor diante do juiz e dos jurados. Mais de quatro anos após ser confundido com um ladrão e agredido, o jovem afirmou que aguardava ansioso por justiça.

“Gostaríamos de ter aqui não só ele, mas a moça também que participou, mas esperamos que se resolva.”

Além da vítima, outras cinco testemunhas foram ouvidas durante o julgamento. O júri popular começou por volta das 10h e ocorreu após três adiamentos do processo.

Durante a sessão, Jhonnatan Silva Barbosa permaneceu acompanhado de dois defensores públicos e também teve a oportunidade de prestar depoimento.

Após ouvir testemunhas, acusação e defesa, os jurados se reuniram para decidir o caso. O empresário respondia por tentativa de homicídio triplamente qualificado.

Para a promotoria responsável pelo caso, não havia dúvidas sobre a intenção do réu ao cometer as agressões.

É inequívoco para o Ministério Público que as manobras que ele fez demonstram, sem sombra de dúvida, a intenção dele de matá-lo.”

Gabriel foi agredido em dezembro de 2021, na porta da própria casa, enquanto fazia manutenção no carro antes de viajar. Segundo a denúncia, ele foi asfixiado e agredido com socos e chutes por Jhonnatan Barbosa e uma mulher.

O processo foi desmembrado, e Ana Paula Costa Vidal, apontada como participante das agressões, será julgada separadamente por lesão corporal.

Para a defesa da vítima, o racismo teria sido o motivo das agressões.

“Ele olhou Gabriel e entendeu que ele era ladrão, só por ser negro, porque não havia nenhum elemento que fizesse com que ele acreditasse nisso.”

Desde o início, o caso foi acompanhado pelo Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humano Carmen Bascarán (CDVDHCB) entidade que atua na defesa dos direitos humanos e no combate ao racismo.

“É extremamente importante que a Justiça dê uma resposta a casos como esse para que a sociedade compreenda a gravidade do crime cometido e entenda que isso não pode acontecer.”

Apesar das discussões durante o processo, os jurados não reconheceram o racismo como motivação do crime.

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